O setor global de óleo de cozinha usado (UCO) está em plena expansão, com a expectativa de atingir a cifra de US$ 11,39 bilhões até o ano de 2032, conforme indicam dados da Fortune Business Insights.
Esse crescimento é impulsionado pelo crescente interesse por combustíveis limpos, como o biodiesel e o combustível sustentável para aviação (SAF). Vitor Dalcin, diretor da Ambiental Santos, uma das pioneiras na reciclagem de óleo vegetal nas regiões do Paraná e Santa Catarina, acredita que esse movimento posiciona o Brasil como protagonista na economia circular:
“Os dados globais revelam que a reciclagem do óleo de cozinha deixou de ser uma questão meramente ecológica e se transformou em um ativo financeiro significativo. A coleta desse material alimenta uma cadeia produtiva que diminui a dependência de combustíveis fósseis e cria empregos sustentáveis”, observa Dalcin.
O estudo revela que o mercado, que foi avaliado em US$ 6,11 bilhões em 2023, deve apresentar um crescimento anual (CAGR) de 7,3%. Para Dalcin, esses dados reforçam a transformação do óleo vegetal de um resíduo problemático para uma commodity energética valorizada.
“O Brasil possui um potencial gigantesco nesse setor, mas ainda enfrentamos problemas relacionados ao descarte inadequado. Se o mercado global dobrar em menos de uma década, tanto os cidadãos quanto os empresários precisam compreender que o óleo armazenado em garrafas PET tem valor econômico e desempenha um papel crucial na redução das emissões de carbono”, enfatiza o diretor.
Sustentabilidade como Ativo Econômico
Além do uso no biodiesel, o óleo reciclado está sendo cada vez mais utilizado na produção de ração animal e em diversas aplicações químicas industriais. O relatório indica que Europa e América do Norte estão à frente nesse segmento devido à implementação de legislações rigorosas, um modelo que Dalcin acredita ser essencial para o desenvolvimento do mercado brasileiro:
“Converter passivos ambientais em ativos econômicos é a única alternativa viável. Os dados da Fortune Business Insights apenas confirmam as práticas que já estamos implementando: a reciclagem é fundamental para a nova economia energética”, conclui o diretor.
A crescente procura por biocombustíveis elevou o status do óleo de cozinha usado a um “ouro líquido”, não apenas no Brasil, mas globalmente. Com os preços subindo, esse material se tornou um alvo valioso para quadrilhas que atuam tanto na Europa quanto na América do Norte.
