A conexão entre a saúde cardiovascular e a prática regular de exercícios físicos vai além da simples estética ou do condicionamento físico básico. Isso é o que ressalta Dr. Jose Knopfholz, um cardiologista que também atua como diretor de comunicação da Sociedade Paranaense de Cardiologia. Para ele, o sedentarismo não se restringe a um estilo de vida prejudicial, mas é classificado como uma enfermidade no Código Internacional de Doenças (CID).
O médico esclarece que ser “fisicamente ativo”, por exemplo, ao realizar tarefas domésticas, difere significativamente da execução de “exercícios físicos” organizados:
“Para reduzir os riscos de infarto, acidente vascular cerebral (AVC), hipertensão, diabetes e obesidade, recomenda-se uma atividade aeróbica moderada com duração mínima de 150 minutos por semana (o que pode ser distribuído em três sessões de 50 minutos ou preferencialmente cinco sessões de 30 minutos cada)”, orienta Dr. José.
Um dos obstáculos enfrentados por muitas pessoas ao se exercitarem é a influência da temperatura. Dados do Ministério da Saúde mostram que a prática de atividades físicas cai cerca de 30% em dias mais frios. Esses dados ressaltam a importância de manter o hábito de se exercitar diariamente, especialmente durante as estações mais frias como outono e inverno:
“As atividades devem requerer esforço e não se limitar a caminhadas leves. Além do exercício aeróbico, a incorporação de exercícios resistidos, como musculação, é igualmente crucial. Uma avaliação médica prévia garante maior segurança antes de iniciar qualquer atividade física”, enfatiza.
Conforme aponta Knopfholz, entre os 50 e 60 anos, ocorre uma perda significativa da massa magra conhecida como sarcopenia, tornando os idosos mais frágeis e vulneráveis a quedas graves, que são uma das principais causas de complicações e internações nessa faixa etária.
Falsos magros
É importante também estar atento àqueles que apenas confiam na balança. O fato de uma pessoa ser considerada magra não garante que ela possua um bom estado metabólico. Um estudo recente realizado pela Universidade Harvard revelou que a gordura infiltrada nos músculos (chamada “marmoreio”) provoca um estado inflamatório semelhante ao causado pela gordura visceral, elevando o risco cardiovascular.
A gordura visceral desregula hormônios, eleva os níveis de cortisol, afeta o colesterol e propicia resistência à insulina (síndrome metabólica):
“Ser jovem e parecer magro não justifica descuidar-se da prática regular de exercícios físicos. Existem diversos fatores que podem passar despercebidos aos olhos; portanto, é essencial permanecer vigilante. Mesmo que os resultados visíveis demorem a aparecer, a saúde do coração se beneficiará do hábito contínuo de atividade física”, conclui Dr. Knopfholz.
