Cultura ética se torna prioridade no mercado, e empresas estabelecem canais de denúncia voltados para ESG

A busca pela conformidade com a agenda ESG (Environmental, Social, and Governance) no Brasil alcançou um novo nível de exigência. Enquanto nos anos anteriores as empresas estavam mais focadas nos aspectos ambientais e sociais, a partir de 2026, o foco se intensificou na governança, representada pela letra “G”.

Atendendo à demanda de investidores que se mostram cada vez mais criteriosos e parceiros comerciais rigorosos, organizações de médio e grande porte estão apressando a implementação de programas robustos de compliance. Um dos principais indicadores dessa evolução é o estabelecimento de canais digitais de ouvidoria e denúncia independentes, essenciais para proteger a integridade ética e financeira das operações empresariais.

Especialistas em governança corporativa apontam que um dos maiores desafios enfrentados pelas empresas contemporâneas é a conversão de manuais de conduta teóricos em ações práticas e mensuráveis no dia a dia.

Um exemplo notável dessa mudança estratégica pode ser observado no setor de infraestrutura e engenharia civil, como demonstra o paranaense Grupo De Amorim. A empresa anunciou recentemente o lançamento do seu novo Canal de Ouvidoria e Denúncias, que opera por meio de uma plataforma digital externa, garantindo total sigilo e evitando o rastreamento do denunciante.

“A governança de uma empresa não se sustenta apenas com boas intenções; ela necessita de ferramentas vivas que deem voz e segurança ao seu ecossistema. Adotar um canal com garantia absoluta de anonimato é um divisor de águas para qualquer cultura organizacional. Ao abrir as portas para que colaboradores, fornecedores e parceiros relatem irregularidades com tranquilidade e sem medo de retaliações, estamos protegendo o futuro ético da operação.”

O mercado tem buscado soluções que proporcionem anonimato total e proteção jurídica para aqueles que denunciam irregularidades em relação à legislação ou normas internas. Sem um sistema seguro em funcionamento, desvios operacionais ou financeiros podem permanecer ocultos da alta administração por longos períodos.

No modelo implementado pelo Grupo De Amorim, cada solicitação gerada resulta em um protocolo confidencial que é enviado diretamente ao Comitê de Compliance interno, onde são iniciados os procedimentos necessários para auditoria e aplicação das medidas administrativas adequadas.

Maristela Marchezani, diretora de desenvolvimento organizacional do Grupo, enfatiza que antecipar riscos operacionais e jurídicos por meio da transparência coletiva é a única estratégia viável para os empresários atualmente.

“Mitigar riscos antes que eles se tornem crises reais é a essência do ESG. As companhias que não se estruturarem para oferecer ambientes transparentes e orientados pela ética vão, inevitavelmente, perder espaço competitivo, contratos importantes e relevância no mercado”, conclui a diretora.

By Diário do Paraná

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