A necessidade de acelerar as obras de pavimentação nas áreas urbanas tem levado o setor de infraestrutura a incorporar tecnologias que valorizam a economia circular e agilizam os prazos de execução. Em Curitiba, a técnica de reciclagem asfáltica com a adição de cimento está se firmando como uma solução eficaz em comparação ao método tradicional de escavação, permitindo que as vias sejam requalificadas em cerca de 50% menos tempo do que o habitual.
Um exemplo disso é a recuperação de um quilômetro no bairro São João, cuja conclusão geralmente ultrapassaria 30 dias, mas teve sua entrega antecipada para menos de 10 dias. Essa mudança se deve à nova tecnologia utilizada: ao invés de retirar o asfalto antigo e levá-lo para aterros, uma máquina recicladora processa o material existente e o combina com novos agregados e cimento no mesmo local.
Bernardo Oliveira, especialista e gestor da De Amorim Construtora, destaca que essa abordagem traz uma grande evolução na gestão logística urbana:
“O nosso grande diferencial é transformar a rua em nossa própria fonte de matéria-prima. Isso elimina o transporte de entulho e reduz significativamente a necessidade de grandes quantidades de novos materiais pétreos, acelerando o cronograma das obras”, afirma Oliveira.
Sustentabilidade e Impacto Urbano
Além da rapidez, a reciclagem asfáltica também atende à crescente demanda por soluções ambientais. Ao reaproveitar o pavimento desgastado, essa técnica diminui as emissões de gases poluentes geradas pelo transporte pesado e contribui para a preservação dos recursos naturais.
No aspecto social, a redução do tempo necessário para conclusão das obras diminui o período em que as vias ficam interditadas, um dos principais pontos críticos durante esses trabalhos urbanos:
“É sabido que qualquer obra causa transtornos, mas quando conseguimos diminuir o tempo para menos da metade do habitual, asseguramos que os moradores recuperem rapidamente o acesso às suas residências. Isso representa a aplicação do conceito de impacto mínimo na engenharia urbana”, conclui Oliveira.
O Processo Técnico
Esse procedimento faz uso de equipamentos avançados capazes de processar camadas com profundidade de até 18 centímetros. Após o trabalho da recicladora, o material resultante é compactado e nivelado, formando uma base robusta para receber a camada final de asfalto. O resultado é um pavimento que possui durabilidade igual ou até superior ao método convencional, mas com um impacto ambiental e social consideravelmente reduzido.
